p_borges escreveu:
O fecho de documentos (ou o "não fecho") tem alguma consequência em termos de ficheiro de SAFT a enviar à AT?
Falo do fechar (ou não) guias de transporte de material que não é passível de ser facturado, e a dúvida é saber se essas o fecho dessas guias implica alterações ao SAFT.
Caro p_borges,
É uma excelente pergunta! Respondendo concretamente: NÃO! O fecho de documentos não tem qualquer impacto no SAFT. No SAFT são exportados (versão 9.3 do Colibri) todos os documentos de Transporte emitidos e não são exportados "fecho de documentos".
No entanto, esta dúvida requer uma análise mais profunda.
Como sabemos, as medidas lançadas pelo governo e implementadas pela AT, obrigam à comunicação dos documentos de Transporte (salvo as excepções contempladas na lei) via SAFT ou Webservices.
Uma vez na posse de todas as informações de movimentação de mercadorias, o fisco tem à sua disposição todos os dados necessários para efectuar o cruzamento de informação. Esse é, evidentemente, o objectivo de todo este aparato legal e técnico que nos tem obrigado a adaptar (em alguns casos quase refazer) o software.
Assim sendo, o fisco fica a saber a quem foi enviada a mercadoria, e se foi ou não posteriormente FACTURADA ou DEVOLVIDA!
Ora, se existe mercadoria pendente num documento de Transporte, só existem 2 caminhos a seguir:
a) Facturar
b) Devolver -
Através do documento GUIA de DEVOLUÇÃO, onde deve ser CARREGADO o documento de Transporte original. A devolução funciona nos mesmos moldes do "fecho de documentos", com a diferença de ser ele próprio um documento de Transporte
que irá referênciar os documentos de ORIGEM ao fisco, quando for devidamente comunicado.
Portanto, no cenário actual,
o uso do "fecho de documentos" deve ser totalmente dispensado. Caso seja usado (e note-se que esta é uma mera especulação minha), a empresa poderá vir a ser questionada sobre o paradeiro da mercadoria em falta, uma vez que nunca será facturada ou devolvida!
Claro que todo este "novo" processo de controle de circulação de mercadorias está ainda no seu inicio. Existem ainda muitas dúvidas sobre as quais o próprio fisco não é coerente, mas é apenas uma questão de tempo para que se vejam resultados práticos, e entre eles estarão, com certeza, dados muito concretos sobre os desvios / não facturação de mercadorias.